Me sentindo como se fosse um lixo’, diz adolescente vitima de estupro coletivo na orla de Jaboatão dos Guararapes em Recife

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Foto: Reprodução/TV Globo

“Me sentindo como se fosse um lixo. Como se eu não me desse valor, como se ninguém me desse valor, sabe? Mas daí eu decidi postar na internet. Decidi publicar porque acho que as mulheres têm que se defender e correr atrás dos seus valores”. Esse depoimento é da adolescente de 16 anos que denunciou ter sido estuprada por oito homens na orla de Candeias, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife.

O caso, que é investigado pela Polícia Civil, ocorreu na madrugada do domingo (25) e gerou repercussão na internet depois que a própria vítima publicou a denúncia no Instagram. Em respeito ao Estatuto de Criança e do Adolescente (ECA), a reportagem não divulga o nome da vítima.

A jovem contou que estava com uma amiga e o namorado dessa colega quando foi abordada por um rapaz que já conhecia. Ela informou que foi para a areia com ele e um amigo e que, ao chegar lá, havia outros seis homens. “Todos eles me estupraram. Todos fizeram sexo oral comigo. Uns seis ou sete me penetraram. Só não teve um”, afirmou a adolescente. Nas redes sociais, ela publicou fotos mostrando como ficou o corpo depois das agressões. Em uma imagem, é possível ver arranhões e marcas de pancadas na barriga.

A mãe da adolescente disse que, ao chegar em casa após o estupro coletivo, a jovem estava bastante nervosa e com hematomas no corpo. Quando viu a situação em que a filha estava, a mulher levou a garota imediatamente à Delegacia de Prazeres, localizada também em Jaboatão.

“Eu preferia estar no lugar dela. Seria horrível para qualquer mulher, imagine para uma menina de 16 anos. Ela está tomando medicação, com acompanhamento psicológico e psiquiátrico, com depressão, ansiedade, e totalmente dopada”, afirmou a mãe. A Delegacia de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA) ficou responsável pela investigação do caso. A delegada Vilaneida Aguiar, que está à frente do inquérito, disse que só vai se manifestar “em momento oportuno”.

“Isso é uma crueldade. Isso não se faz com um animal. Fazer isso com uma menina de 16 anos, uma adolescente? Eu quero ver a justiça ser feita. Ela chegou muito nervosa, muito abalada. Ela foi direto para o banheiro e eu entrei. Ela estava cheia de hematomas nas costas, a roupa cheia de areia. Ela me contou tudo o que aconteceu e, na mesma hora, a gente seguiu para a delegacia”, disse a mãe.

Violência contra a mulher em Pernambuco

No primeiro trimestre de 2021, Pernambuco registrou 585 estupros. Isso representa uma redução de 7,58% em relação aos números desse tipo de crime, entre janeiro e março de 2020, quando houve 633 ocorrências. Também no primeiro trimestre, a Secretaria de Defesa Social contabilizou 10.761 queixas de crimes de violência contra a mulher. No mesmo período do ano passado, foram 10.971 casos, número 1,91% menor. POR G1PE

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