Roubo de fios e equipamentos dá prejuízo de R$ 1 milhão no RN.

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O número de ocorrências de roubos em equipamentos da Companhia de Água e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) vêm se agravando e gerando prejuízo para a população e para a empresa. Em 2020, foram registrados três furtos dessa natureza. Em 2021, até o momento, foram 24. O prejuízo financeiro, segundo a Caern, nos últimos 18 meses, supera R$1 milhão e mais de 100 milhões de litros de água deixaram de ser distribuídos. Os crimes também atingem a iluminação pública.

Neste ano, foram 3 casos em fevereiro, 6 em março, 2 em abril, 7 em maio, 3 em junho e 3 em julho. Os equipamentos furtados são os responsáveis pela distribuição de água. O material visado pelos criminosos é o cobre, um dos metais mais rentáveis em lojas de reciclados e que chega a custar R$ 30 o quilo. Os crimes acontecem não só na capital. O interior do Estado também registra ocorrências da mesma natureza, porém em uma quantidade menor.

Quem fica na outra ponta do prejuízo, a população, precisa lidar com a falta de água sem aviso prévio. Segundo a Companhia, cada roubo interrompe o abastecimento regular por pelo menos 48h. No ano passado, o transformador de energia da Estação de Bombeamento do Açude Pinga, em Cerro Corá, sofreu dois furtos seguidos, o que resultou na suspensão do abastecimento de toda a cidade. Além da água, os furtos causaram danos ao sistema de esgoto, que resultaram em transbordamentos nas vias.

Fios de iluminação também entram para a lista dos equipamentos mais procurados. Nesta terça-feira, um apagão foi registrado em toda extensão da Rua Mermoz, entre os bairros Barro Vermelho e Alecrim. De acordo com o Departamento de Iluminação da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (DIP/Semsur), os criminosos quebraram a caixa de medição trifásica, furtaram o medidor e cerca de 21 metros de cabos. Ainda segundo a Semsur, o restabelecimento da energia do viaduto dependerá da instalação de um novo aparelho de medição por parte da Companhia Energética do Rio Grande do Norte (Cosern).

A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) não informou o número exato de furtos registrados em 2021, mas esclareceu que, em decorrência do furto, a área afetada sofre apagões, situação que demanda prioridade da Semsur no reparo das luminárias apagadas.

A Caern informou em nota que está fazendo melhorias nas estruturas físicas e monitoramentos. A empresa também disse que vem está trabalhando em conjunto com o comando da Polícia Militar, Secretaria de Segurança e Delegacia Geral da Polícia Civil.

Criminosos são atraídos pelo preço do cobre
Para quem trabalha no ramo de reciclagem, não é incomum receber vendedores tentando comercializar o cobre, material classificado como o ‘mais nobre da sucata’ pelo dono da empresa Natal Reciclagem, fundada há 16 anos em Natal, Jurandir Nunes, que é Gestor Ambiental.

No mercado legal, a compra por donos de empresas de reciclagens só é realizada por parte de pessoas cadastradas, empresas ou pessoa física – nesse caso, o vendedor deve apresentar uma declaração assinada comprovando a origem do produto.

“Quando a gente solicita e a pessoa não apresenta, quando eles percebem que existem uma burocracia, já caem fora”, relata Jurandir.

A maioria dos materiais de metal do Estado atualmente é vendida para a empresa Recicla, em São Gonçalo do Amarante. O Centro de Reciclagem é a maior compradora e também a maior do território potiguar. Ele repassa as compras para industrias maiores que utilizam os metais.

Em compras e vendas, legais e seguras, como as que são realizadas na empresa de Jurandir, os clientes conseguem acompanhar em tempo real o processamento, coleta, transporte e destino final do material vendido. “Tudo é reastreável. O Ministério do Meio Ambiente determina que todos esses materiais, eletrônicos e fiação, devem ter rastreabilidade, justamente para não haver desvio antes de chegar na indústria final”, explica Jurandir Nunes.

No entanto, o mercado negro de fios, dos quais se pode extrair o cobre, segue existindo silenciosamente. A maior confirmação desses crimes é o número de furtos obtidos pelas empresas de luz e água.

Fonte: Tribuna do Norte

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