Polícia indicia homem que puxou arma em protesto

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A Polícia Civil do Rio Grande do Norte confirmou, nesta sexta-feira (27), o indiciamento do homem que puxou uma arma de fogo para um grupo de mulheres no bairro do Alecrim na última quarta-feira (25). O caso será enquadrado nos crimes de porte ilegal de arma de fogo e ameaça.

Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil, o inquérito ficará com a 3ª Delegacia de Polícia, localizada no bairro do Alecrim, na Zona Leste de Natal. A Polícia Civil não revelou o nome do indiciado.

Na quarta-feira (25), um grupo realizava um ato em defesa das mulheres, nas proximidades da Praça Gentil Ferreiram quando ocorreu o ato de ameaça. Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra que, durante a manifestação, um homem desceu de uma moto, sacou a arma e apontou para o grupo. O ato foi feito durante as comemorações pelo Agosto Lilás — em celebração aos 15 anos da Lei Maria da Penha — em Natal. Após o episódio, as pessoas recuaram da via e o motociclista foi embora. Ninguém ficou ferido. Logo em seguida , ainda na tarde da quarta-feira, o grupo de mulheres que participou do evento procurou uma delegacia para fazer um Boletim de Ocorrência (BO). O caso foi registrado na 3ª Delegacia de Polícia.

Além do indiciamento policial, o Partido Socialismo e Liberdade no Rio Grande do Norte (PSOL/RN) vai pedir à comissão de ética do Diretório Nacional da legenda a expulsão do homem que empunhou a arma para as manifestantes. Segundo a representação estadual da legenda, o homem também é filiado ao partido, embora “não atuante”, segundo o PSOL. “Nós solicitamos o afastamento dele por 12 meses e vamos encaminhar o pedido de expulsão ao Conselho de Ética do PSOL nacional”, explicou o partido à TRIBUNA DO NORTE.

“Não temos como saber o que será definido, nem quando haverá um desfecho do caso. De acordo com nosso estatuto, o filiado tem direito à ampla defesa, caso queira continuar no partido. A gente duvida que seja do interesse dele permanecer conosco, mas é preciso garantir o direito à ampla defesa”, acrescentou o PSOL/RN.

O partido aponta que, após o pedido de expulsão, alguns trâmites serão adotados para que a questão seja avaliada, como a realização de oitivas, conversas com o filiado e depoimentos de testemunhas. “São trâmites que nunca costumam acontecer de forma rápida”, informou o partido, que disse ainda não ter data definida para enviar o pedido. “Estamos nos organizando para isso”.

O pedido de expulsão atende a uma solicitação do Setorial de Mulheres do PSOL/RN. Em Nota divulgada na quinta-feira (26), o grupo repudiou o episódio e anunciou que pediria a expulsão do filiado. “Viemos a público manifestar todo o nosso repúdio e escárnio a brutal violência relatada”, informa a Nota.

Em outro trecho da Nota, o Setorial de Mulheres do PSOL/RN alega que pediu a retirada imediata dos direitos políticos do filiado junto ao PSOL. “Todo apoio e solidariedade às companheiras que foram vítimas de seus atos. Não há espaço para machismo em nossas fileiras”, encerra o texto.

TRIBUNA DO NORTE

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