No Dia de Combate ao Fumo, mulher conta que decidiu largar vício durante enterro de pai fumante: ‘Dor tremenda’

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Rosinete Sousa Kazimierz, de 52 anos, viveu uma história de superação ao conseguir se livrar do vício no tabagismo após a morte do pai, que também fumou a vida inteira. Neste domingo (28) é comemorado o Dia de Combate do Fumo e ela conta como foi sua batalha contra a dependência. “Eu sofri e lutei muito, mas hoje agradeço por ter percebido o mal que eu estava fazendo para a minha vida”, relata a ex-fumante.

Pai de Rosinete Sousa fumou a vida inteira — Foto: Jorge Júnior/Rede Amazônica

Rosinete mora em Itanhaém, no litoral paulista. A relação dela com o cigarro começou aos 13 anos, quando deu a primeira tragada. “Comecei brincando”, disse ao G1. A brincadeira, porém, se tornou algo sério e com 16 anos ela se deu conta de que estava viciada. “Já não conseguia viver sem fumar, eu precisava daquilo”, acrescentou.
“Eu fumava com qualquer desculpa”, comentou. Rosinete contou que apesar de sempre fumar, quando estava triste ou chateada, fingia que a desculpa para o consumo do tabaco era o sentimento negativo. “Cheguei ao ponto de fumar três maços inteiros de cigarro por dia”, relatou. Além da dependência no cigarro, ela diz que o viciado em tabagismo agride não apenas o organismo, mas o bolso. “É um dinheiro que a gente literalmente queima”, destacou.

O pai de Rosinete também era fumante, mas segundo a filha ele começou a fumar mais novo ainda, aos 10 anos. Ele desenvolveu o vício pelo tabagismo e vivia sem diagnósticos dos males causados pelo fumo. Em 2001, entretanto, ele sofreu um derrame e ficou acamado.

“Um dia ele piorou muito e foi para o hospital, direto para a UTI. Poucos dias depois, me ligaram do hospital e disseram que o médico queria falar comigo. O recado do médico foi curto e grosso: ‘o cigarro matou seu pai e se você não parar de fumar, vai terminar como ele’ “, relembra.

Rosinete disse ao G1 que ficou em estado de choque com o que o médico disse e, então, abaixou a cabeça. “Naquele momento eu vi que estava segurando uma cartela de cigarro e um isqueiro”, relatou, o que segundo ela, nem tinha reparado até o médico alertá-la, já que estar com o cigarro era um costume.

Depois do recado, ela afirma que o médico mostrou um exame de raio-x do pulmão de seu pai. “Estava completamente preto e estragado. O cigarro antecipou a morte do meu pai”, pontuou.

Abalada e em choque pelo forte recado, Rosinete disse nem ter chorado no momento. “Saí do hospital e fui resolver as pendências do velório. Estava nervosa e não parava de fumar”, relatou. Ela disse ter fumado normalmente durante o velório, até o momento do sepultamento.

“Quando meu pai estava sendo enterrado, passou um filme na minha cabeça. Lembrei do recado do médico, das minhas filhas e do quão forte meu pai era. Meu reflexo foi jogar o maço de cigarro e o isqueiro que estavam comigo, em cima do caixão do meu pai”, relatou.

A partir daquele momento, a vida de Rosinete mudou completamente, ela encerrou um vício de quase 20 anos em um segundo. No momento em que jogou o maço de cigarro no caixão, ela só pensava em evitar que a família dela e, principalmente, suas três filhas, passassem pela mesma dor que ela estava passando ao perder seu pai.

Ânsia ao fumo

A mulher contou, ainda, que pensou que seria mais difícil largar o cigarro do que realmente foi. O trauma deu um estalo na consciência dela, que a fez simplesmente não suportar mais o fumo. “Passei a ter ânsia de qualquer coisa relacionada ao fumo”, relatou.

O hábito, entretanto, se fez como inimigo no processo. Rosinete confessou que cedeu duas vezes desde que largou o cigarro. “A primeira foi uma semana depois do sepultamento do meu pai. Assim que acendi o cigarro, minha pressão caiu e eu desmaiei. A segunda e última vez que cedi foi um mês após o enterro. Dessa vez, assim que acendi o cigarro e senti o cheiro, comecei a vomitar e não consegui fumar”, contou.

Cigarro e saúde

De acordo com dados do Instituto Fiocruz, a fumaça que sai do cigarro contém em média 3 vezes mais nicotina e monóxido de carbono e 50 vezes mais substâncias cancerígenas do que o ar que o próprio fumante inala. Dessa forma, pessoas que convivem com fumantes ou que ficam expostas à fumaça do cigarro de terceiros podem desenvolver desde reações alérgicas à câncer de pulmão e outras doenças pulmonares.

Para o fumante, segundo o cardiologista Roberto Kalil disse em entrevista ao G1 São Paulo, o cigarro aumenta em 30% o risco de infarto. Isso porque o monóxido de carbono inalado pelo fumante no cigarro entra na corrente sanguínea e se liga à hemoglobina. Essa ligação forma a carboxihemoglobina, que é uma substância tóxica ao organismo. Quanto maior a quantidade de carboxihemoglobina no sangue, menor a quantidade de oxigênio.

Os malefícios do tabagismo são muitos. O pai de Rosinete foi uma das vítima do cigarro e na conversa ela comenta, emocionada, que se não fosse o fumo, talvez ele estivesse aqui até hoje. E hoje, ela comemora que conseguiu largar o vício há 20 anos. “Hoje não sinto mais falta e inclusive tenho ânsia de qualquer coisa relacionada ao cigarro”, relatou.

Do G1

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