Extensão do enrocamento na praia de Ponta Negra começa este ano

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Foto: Reprodução

A Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura de Natal (Semov) prevê o início das obras de extensão do enrocamento na praia de Ponta Negra ainda este ano, segundo Carlson Gomes, titular da pasta. “Se ocorrer tudo bem, as obras serão iniciadas em novembro ou dezembro”, informou o secretário. Após o enrocamento, cuja previsão de duração dos trabalhos é de 18 meses, será a vez da engorda, que irá aumentar a faixa de areia da praia. A Semov espera concluir toda a obra em três anos.

O secretário informou que o Município apresentou as propostas de atualização do projeto ao Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) na quinta-feira da semana passada e aguarda, em um prazo de quinze dias, o aval do órgão ministerial. “Esperamos agora a análise técnica do MDR”, esclareceu Carlson Gomes.

Em junho do ano passado, o ministro Rogério Marinho, do MDRN, em visita a Natal, anunciou os recursos para a execução das obras. Serão R$ 17 milhões para o enrocamento e mais R$ 32 milhões para a engorda, totalizando R$ 49 milhões. Outros R$ 4 milhões também foram reservados para o projeto.

Carlson Gomes, da Semov, disse que, após avaliação do Ministério do Desenvolvimento, a pasta espera dar início, em 15 ou 20 dias, ao processo de licitação para a contratação da empresa que irá executar as obras. “Após essa primeira licitação, relacionada à proteção costeira da praia, haverá uma audiência pública para a discussão das atividades. Também iremos requerer as licenças necessárias ao Idema para a licitação da engorda”, explicou Gomes.

O prazo para as empresas concorrerem à licitação será de 30 dias. Após o resultado, com a assinatura do contrato e a instalação do canteiro, as obras poderão ser iniciadas em um novo prazo de 30 dias. A previsão para o começo dos trabalhos é dezembro, no máximo. O secretário explicou que o trecho que irá receber o enrocamento compreende às áreas próximas ao final do calçadão de Ponta Negra até alguns metros após o hotel Serhs, na Via Costeira, numa área de mais de 1,1 quilômetro de extensão.

“A intenção era contemplar 2 quilômetros, mas alguns hotéis e casas da região fizeram o enrocamento, por conta própria, de cerca de 900 metros. Então, nossas obras contemplarão esse perímetro restante”, esclareceu Carlson Gomes.

Engorda

Após as obras de enrocamento, a Prefeitura pretende começar os trabalhos para a engorda da praia. A proposta é deixar a faixa de areia com 30 metros de largura, durante a maré alta, e até 100 metros, na maré seca.

“Assim que nós contratarmos a empresa para o enrocamento, iremos dar início aos processos para a engorda. Já nos encaminhamos ao Idema para requerer as licenças necessárias, mas de forma prévia, porque precisamos do aval do MDR. Então, estamos adiantando essas questões. Já fizemos também o estudo ambiental da praia”, relata Carlson Gomes.

“Existe um compromisso do Município de Natal em fazer uma audiência pública com os moradores da comunidade e demais interessados (Ministério Público, Idema e outros órgãos envolvidos) para levar conhecimento sobre o projeto da engorda”, acrescentou o secretário em seguida.

De acordo com Carlson Gomes, a licitação para a engorda deverá acontecer no início de 2022. A exemplo das obras de enrocamento, os trabalhos relacionados a essa etapa do projeto têm previsão de duração de 18 meses.

Comerciantes esperam por mudanças na praia

A expectativa sobre o início das obras de engorda na praia mais famosa da capital tem animado os comerciantes e ambulantes que atuam no local. Rivaldo Alves Cardoso, de 50 anos, trabalha em um ponto na orla de Ponta Negra. Para ele, o projeto deve melhorar a insfraestrutura da praia.

“Vi na televisão que na praia de Iracema, em Fortaleza (CE), foi feito um projeto parecido. Eu achei legal. Acredito que aqui em Ponta Negra vai ficar muito bom”, afirmou Rivaldo.

Isabela da Silva, de 53 anos, tem um ponto de venda de água de coco na praia. Ela avalia que as adequações deverão valorizar ainda mais a região. “A praia vai ficar muito linda. Ponta Negra é nossa Copacabana e é preciso zelar por ela. Depois que as obras forem concluídas, todos sairão ganhando. Vi que fizeram projetos de engorda na Praia do Pina, em Recife (PE) e na praia de Iracema, em Fortaleza, e ficou perfeito”, disse a vendedora.

A Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura de Natal (Semov) explicou que as obras de engorda serão realizadas por etapa. A interdição, que também se dará por etapas, deve acontecer conforme o trabalho for avançando. Trabalhadores revelaram à TRIBUNA DO NORTE que ainda não possuem informações de como se daria, de fato, esse processo de interdição. Alguns demonstraram preocupação em relação a esse aspecto.

“Eu me preocupo com essa possibilidade, porque não sei se a gente vai ficar sem trabalhar”, confessa José Antônio, de 43 anos, dono de uma barraca na praia. “Aqui a gente vende refeições e bebidas, como refrigerante e água de coco. São sei pessoas que trabalham comigo. As famílias deles e a minha dependem da praia”, relatou.

Paulo Vinícius, de 21 anos, é uma das seis pessoas que trabalham com José Antônio. Ele também demonstra preocupação com a interdição. “A gente está aqui de domingo a domingo, porque se parar um dia, o bolso reclama. Eu dou pensão para o meu filho, ajudo minha mãe, pago água, luz e aluguel. Essa é minha única renda no momento,” comenta Vinícius.

“A Prefeitura disse que vai fazer um cadastro para repassar uma ajuda de custo às pessoas que estiverem paradas”, disse Rivaldo Cardoso à TRIBUNA DO NORTE. “Se não tiver essa ajuda, vai complicar. Minha única renda é daqui. É com esse dinheiro que eu pago aluguel, água, luz e faço feira. Sem contar que sou casado e tenho três filhos”, acrescentou o trabalhador.

A incerteza, no entanto, não diminui o entusiasmo de Rivaldo pela execução da obra. “Eu acho que esse projeto vai melhorar bastante. Eu sou a favor, mas a prefeitura tem que dar um suporte para os comerciantes”, pontua.

Isabela, que vende água de coco, disse que está tranquila em relação à interdição da praia. “Mesmo que não haja ajuda da Prefeitura, a gente se organiza aqui. Uma turma trabalha de manhã, outra de tarde e todos saem ganhando. Em Ponta Negra está o nosso maior patrimônio, que é o Morro do Careca e é de onde a gente tira o nosso sustento. Então, é importante que ela esteja bem cuidada”, avalia.

Paulo Vinícius diz: “Ponta Negra é nossa ‘praia-mãe’. Essa obra tem a ver com todos os comerciantes”, disse ele.

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