Ginecologista tirava fotos das partes íntimas de pacientes, diz delegada

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O ginecologista Nicodemos Júnior Estanislau Morais, investigado por crimes sexuais contra pacientes durante consultas em Anápolis, a 55 km de Goiânia, tirava fotos das partes íntimas das mulheres, de acordo com a Polícia Civil. Ele chegou a ser preso, mas foi solto após decisão da Justiça. Mensagens atribuídas ao médico mostram insinuações sexuais às pacientes.

Ginecologista preso suspeito de crimes sexuais pediu a paciente para ir bronzeada em consulta — Foto: Montagem/G1

“Nós temos relatos de várias vítimas de que ele tirou fotos dos órgãos genitais dessas vítimas e ele falava que era para mostrar para elas. As vítimas pediam para que ele apagasse, ele falava que ia apagar, mas as vítimas não têm informação se realmente foram apagadas essas imagens”, contou a delegada Isabella Joy.
O g1 pediu um posicionamento ao Conselho Regional de Medicina (Cremego) às 20h30 de segunda-feira (4) sobre a conduta do ginecologista sobre fotografar as pacientes e aguarda um retorno. A entidade apura o caso e enviou um ofício à Polícia Civil pedindo uma cópia do inquérito que investiga o ginecologista.

A defesa do médico diz que ele não cometeu nenhum abuso e que o ginecologista agiu dentro dos procedimentos da medicina.

Mensagens

A delegada responsável pelo caso disse que os assédios do médico às pacientes aconteciam nas consultas e também pelas redes sociais. Em uma das mensagens, o ginecologista teria pedido a uma paciente que fosse bronzeada para uma consulta de retorno.

A paciente tinha feito uma cirurgia com ele para retirada de um dispositivo intrauterino (DIU) que infeccionou. A delegada explicou que ele puxou conversa com a paciente para saber se ela estava bem.

Médico: “Melhorou?”

Paciente: “Quase 100%. Fiz o que você falou e agora está cicatrizando. Já tomei a injeção também e o manipulado chegou hoje de manhã.”

Médico: “Ótimo. Depois, só fazer o bronzeamento e me mostrar, kkkk”

Em uma outra conversa, o médico faz uma insinuação a outra mulher. Ele envia uma foto com as frases: “Bora fortalecer a amizade, gata? Transar com amigas fortalece a amizade”.

Uma outra paciente relatou à polícia que enviou mensagens tirando dúvidas sobre um método contraceptivo e se o parceiro poderia sentir durante a relação sexual.

“Bom, minha namorada já usou e eu não percebi diferença alguma. Posso testar kkk. Brincadeira”, disse na mensagem enviada pelo aplicativo.

Investigação

Nicodemos Júnior foi preso no dia 29 de setembro, após denúncia de três mulheres. Ele passou por audiência de custódia no dia 1º de outubro e a Justiça determinou que ele continuasse no presídio. Porém, no dia 4 de outubro, ele foi solto.

Para responder ao processo em liberdade, foi determinado que ele use tornozeleira, não entre em contato com as vítimas, e não faça atendimentos médicos.

Do G1

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