Sem conseguir consulta odontológica, mulher arranca sozinha 11 dentes

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Uma mulher do Reino Unido extraiu 11 de seus dentes nos últimos dois anos e meio após sofrer com dores e não conseguir ajuda de dentistas.

Danielle Watts, de 42 anos, do condado de Suffolk, na Inglaterra, diz que deixou de controlar sua saúde bucal há seis anos, mas precisou buscar um profissional devido a dores frequentes.

A história de Watts veio a público na última segunda-feira (4), pela BBC. Com dificuldades, ela não tinha acesso a tratamentos desde que a antiga clínica de seu bairro, que ela e os dois filhos frequentavam, fechou.

“Eu simplesmente não tinha a quem recorrer. Todos os lugares que tentei disseram que não estavam aceitando pacientes pelo NHS, mas ofereceram nos atender em consultas particulares”, detalha Danielle, apontando as dificuldades de encontrar profissionais que a examinassem gratuitamente, pelo National Health System (Serviço Nacional de Saúde, em português livre) e destacando que não tinha condições de pagar pelas intervenções.

A pandemia de covid-19 mudou a dinâmica de trabalho também para os dentistas, apesar de eles não estarem na linha de frente do combate ao vírus. Isso porque o número de pacientes que podem ser atendidos por dia com subsídio do NHS foi reduzido, o que também aumentou a fila de pessoas esperando por ajuda médica gratuita, segundo a BBC.

Para manter as clínicas, muitos dos profissionais decidiram começar a atender de forma particular, para ajudar a manter equipamentos e o aluguel dos espaços das clínicas.

“No momento, eu não vejo como um negócio pode sobreviver só trabalhando com o NHS”, afirmou o Dr Meetal Patel, que tem uma clínica na Inglaterra, em entrevista ao veículo britânico. “O problema já era ruim o suficiente antes da Covid e ficou ainda pior. E não irá sumir, está aumentando”, opinou.

No caso de Danielle, a quantidade de tempo sem tratar seus problemas dentários levaram à perda óssea e ao amolecimento dos dentes, o que facilitou a extração. Antes de decidir retirá-los, ela chegou a buscar emergências, mas como seu rosto não estava inchado, a orientação era sempre tomar remédios para dor e ficar em observação.

“Eu posso tentar comer normalmente e pensar em não tomar analgésicos por algum tempo”, reflete, sobre a vida após as 11 extrações, que a deixaram com apenas um terço dos dentes. “Chegou a um ponto em que os dentes estavam apenas parados na minha boca, sem nenhum apoio, até mesmo um simples espirro e eles poderiam sair”, argumentou.

Apesar do alívio, ela conta que as refeições ainda são um ritual doloroso. Comidas maiores e sólidas, como um sanduíche, ainda estão fora de seu alcance. Além disso, Danielle diz que perdeu a autoconfiança até mesmo para falar.

“Eu estou paranoica sobre como a minha voz soa, porque eu sei que as minhas frases não se formam mais da maneira correta”, diz.

O antigo dentista da mulher, que não a recomendou para outros profissionais, acabou abrindo uma nova clínica algum tempo depois, mas apenas para pacientes particulares.

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