Responsável por 30% do ICMS do RN bairro do Alecrim, na grande Natal, comemora 110 anos

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Coração do comércio na cidade de Natal, o bairro do Alecrim comemora 110 anos neste sábado (23). Responsável por mais de 30% da arrecadação de todo o ICMS no Rio Grande do Norte, o bairro gera mais de 30 mil empregos na cidade.

Mas para além dos aspectos econômicos, o Alecrim também é lar e moradia, contabilizando cerca de 22 mil habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Jovem Pan News e a TRIBUNA DO NORTE fazem uma ação na Feira do Alecrim este sábado em parceria com a Banda da AEBA. 

Atualmente, o bairro da Zona Leste é uma verdadeira referência para a cidade e ponto de conexão entre suas regiões, com linhas de transporte que trazem passageiros vindos das Zonas Norte, Sul e Oeste. Constituído oficialmente no dia 23 de outubro de 1911, sendo o quarto bairro de Natal, na época, o local era uma região de sítios, granjas e fazendas.

Segundo o historiador Itamar de Souza, o Alecrim era conhecido como Cais do Sertão por ser o primeiro pouso para as pessoas vindas do interior. No ano de 1896, antes mesmo de ser bairro, recebeu o primeiro cemitério público da cidade, o que impulsionou sua ocupação. Nele, encontramos os túmulos de grandes personalidades potiguares como Câmara Cascudo, o ex-presidente Café Filho, padre João Maria, bem como dos políticos Pedro Velho, Djalma Maranhão e João Câmara.

Apresentando uma das maiores densidades empresariais de Natal, dados fornecidos pela Junta Comercial do Estado do RN (Jucern) apontam que, neste ano, o Alecrim conta com 3.467 negócios ativos. O impacto da pandemia no comércio, entre outros motivos, acarretou em 3.585 negócios extintos.

As ações de comemoração dos 110 anos foram promovidas pela Associação dos Empresários do Bairro do Alecrim (AEBA), com parceiros do setor público e produtivo, como Fecomércio, Sebrae, Sicoob, faculdade Estácio, Prefeitura do Natal e o Governo do Estado. De acordo com Matheus Feitosa, presidente da AEBA, as lideranças comunitárias também foram consultadas. “Mesmo com todas as dificuldades que passamos nesse período de pandemia, precisávamos celebrar esse momento oferecendo algo que o bairro realmente merece”.

As atividades desenvolvidas visaram estimular o comércio e capacitar os empreendedores locais, com cursos sendo ofertados pelo Centro Municipal de Trabalho e Empreendedorismo, recentemente inaugurado no Alecrim pela Prefeitura. “Tivemos ações voltadas para a aproximação de nossos parceiros, com intuito de conectar os serviços oferecidos pelo Sistema Nacional de Emprego de Natal e o Centro, onde empresas já disponibilizaram vagas, gerando mais empregos e renda. Também realizamos ações comerciais de incentivo à vacinação, unindo o desenvolvimento do comércio com o benefício da saúde”, explica o presidente.

Para Nadja Vazquez, sócia administradora do Beco do Café no Alecrim, o bairro já é um ponto turístico de Natal. “As pessoas da cidade procuram tudo aqui, muitos comentam assim: o que precisar, você encontra no Alecrim. De uns dez anos para cá, o bairro vem se transformando como um todo, até politicamente. Quem tem um comércio no Alecrim, não quer sair. É um local muito bom para negócios, para viver, e bem seguro, mesmo com seu grande fluxo de pessoas”.

Derneval Junior, da tradicional Casa Sarmento, frequenta o bairro desde que nasceu, acompanhando os passos e o legado de seu pai Derneval Sá. Aos 10 anos, já visitava a loja diariamente, tendo o Alecrim como parte da sua história de vida. Seu avó, Genival Sarmento, abriu a loja em 1950, ao identificar um mercado em potencial. “Na Praça Gentil Ferreira, existia um ponto de ônibus que recebia todos aqueles do interior. Todo mundo que vinha do interior consumir em Natal, descia na Praça, e através do Alecrim, ia para o centro da cidade.

Aquela imensidão de gente fez com que meu avô encontrasse uma porta de abertura para o negócio dele, transferindo a loja da Cidade Alta para o Alecrim”, explica.

O empresário acredita que o bairro é o mais forte, comercialmente falando, do Rio Grande do Norte, e ainda será por muitos anos. “Estamos há mais de um ano enfrentando uma pandemia dura, que trouxe prejuízos enormes para o comércio, e vemos as consequências chegando. Mas apesar dessa dificuldade toda, o Alecrim se sobressai novamente, com o maior número de empresas sendo abertas e gerando mais empregos, como podemos ver nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Entretanto, temos dificuldades relativas ao trabalho dos poderes constituídos, a Prefeitura e o Estado, em agir diante de tanta coisa que ocorre no bairro, como o problema do estacionamento e a reestruturação dos camelódromos”, diz.

Sobre o assunto, o presidente Matheus Feitosa ressalta a função atuante da Associação dos Empresários como ferramenta de conexão entre iniciativa privada e poder público. “Desde a fundação da AEBA, percebemos a necessidade de um contato político, para reivindicar melhorias estruturais no bairro. 

Geramos empregos, renda e tributos, dessa forma precisamos de uma atenção por parte daqueles que legislam e administram a cidade. Nesse momento de pandemia, tivemos uma união entre instituições para entender melhor decretos, questões de auxílio e transporte. Sem isso, não íamos conseguir crescer”, acrescenta.

ReestruturaçãoContactada, a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) informa que atualmente, para o camelódromo, uma equipe técnica estuda opções de reestruturação para o local. Como o processo leva em consideração os comerciantes da região, ainda não é possível dar prazos para seu início e conclusão.Em relação a obras, a Semsur segue um cronograma de recuperação dos equipamentos públicos.

As praças Gentil Ferreira e Dom Pedro II são alguns dos locais que foram revitalizados. No momento, a equipe de paisagismo da Semsur está na Praça Tamandaré realizando a recomposição do solo. Além disso, a Secretaria está desenvolvendo um projeto para a modernização da Alameda presente no entorno das Escolas Municipais Monsenhor Joaquim Honório e João XXIII, localizada na Rua dos Caicós, entre o bairro Alecrim e Quintas.

A Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura (Semopi) também informa que realiza no Alecrim a Operação Tapa Buracos, sem outras demandas para o bairro atualmente.

Bairro tem circulação de 250 mil pessoasA origem do nome do bairro ainda é tema de debate, mas todas as versões relembram a grande presença dessa erva aromática pela região, na época da fundação do Alecrim. Segundo a história contada por Câmara Cascudo, uma senhora que morava no bairro, ofertava um ramo de alecrim a todos os cortejos fúnebres que passavam por sua porta, em direção ao cemitério. 

O bairro centenário movimenta não só a economia, mas também a vida de muita gente. Pelas suas avenidas enumeradas, circulam em um bom final de semana, cerca de 250 mil pessoas, cada uma com sua história. Para aqueles que moram e fazem o Alecrim acontecer, não há como visitar o local e não sair impactado.

SatisfaçãoNei Rocha, presidente do Conselho Comunitário do Alecrim, avisa logo: quem veio à Natal e não foi no Alecrim, não conheceu a cidade. “Morar no coração de Natal é uma satisfação enorme, um bairro que apesar das dificuldades tem um pouco de tudo. Temos um time de futebol, uma escola de samba, Águia Dourada, que é a atual campeã do carnaval natalense, e acima de tudo, temos o maior polo de comércio da cidade”. 

No entanto, Rocha ressalta alguns problemas sentidos pelos moradores, como a falta de infraestrutura e acesso à saúde pública. O bairro, atualmente, conta com apenas duas Unidades Básicas de Saúde (UBS), do Alecrim e da comunidade São José, na Guarita.

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