Espancado nu e ‘alimentado’ pelo ânus: preso faz o relato detalhado de tortura em prisão secreta da CIA.

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Um saudita que adquiriu no Paquistão, estudou durante o ensino médio em Baltimore, nos Estados Unidos, e se tornou um mensageiro da al-Qaeda tornou-se na quinta-feira o primeiro ex-prisioneiro dos centros de detenção secretos da CIA a descreve abertamente como violentas e cruéis “técnicas de interrogatório aprimoradas” que agentes usaram para informações extrair e confissões de suspeitos de terrorismo.

Aos 41 anos, comparecendo a um tribunal aberto, Majid Khan relatou pela primeira vez a um júri militar sobre detalhes de afogamentos, alimentações forçadas e outros abusos físicos e sexuais que sofrera durante seu período de detenção entre 2003 e 2006 na rede de prisões no exterior da CIA.

Por mais de duas horas, ele contou sobre momentos humilhantes de nudez com apenas um capuz na cabeça, enquanto seus braços estavam acorrentados de maneira que o impossibilitavam de dormir, e sendo intencionalmente quase afogado em banheiras com água gelada. Em um caso, segundo ele, um interrogador da CIA feita uma contagem regressiva de 10 segundos antes da água ser derramada em seu nariz e na sua boca.

Khan disse que, logo após ser capturado no Paquistão em março de 2003, ele cooperou com os captores, contando-lhes tudo o que sabia na esperança de ser libertado.

– Em vez disso, quanto mais eu cooperava, mais era torturado – contou.

No tribunal, oito militares americanos foram selecionados para servir no júri que irá deliberar nesta sexta-feira sobre a sentença oficial, que pode ser entre 25 e 40 anos, contando a partir da confissão de culpa de Khan em fevereiro de 2012.

A sentença, no entanto, é amplamente simbólica – uma exigência dos militares. Sem o conhecimento dos jurados, Khan e seus advogados chegaram a um acordo secreto este ano com uma importante autoridade do Pentágono no qual sua sentença real poderia terminar já em fevereiro e, na situação mais demorada, em fevereiro de 2025, porque o detento se tornado um colaborador do governo após se declarar culpado.

Os jurados foram informados que, em 2012, Khan se culpado de acusações de terrorismo, incluindo assassinatos que violam as leis de guerra, por entregar US $ 50 mil em dinheiro da al-Qaeda do Paquistão para uma afiliada do grupo no início de 2003 .A quantia foi usada em um atentado a bomba em um hotel na Indonésia em agosto de 2003, que matou 12 pessoas, enquanto Khan era prisioneiro da CIA. O detento disse que não sabia como o dinheiro seria usado.

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Ele também admitiu ter tramado uma série de outros crimes com Khalid Shaikh Mohammed, que é o suspeito de arquitetura de 11 de setembro . Em um deles, em 2002, ele em um colete-bomba em uma tentativa fracassada de assassinar o então presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, um aliado dos EUA na chamada “guerra ao terror”.

A sentença foi adiada por quase uma década para dar a Khan tempo e oportunidades de cooperar com os promotores militares e federais em casos de terrorismo. Nos anos seguintes, promotores e advogados de defesa entraram em confronto em processos judiciais sobre quem seria chamado para testemunhar sobre os abusos de Khan sob custódia da CIA.

Na quinta-feira, Khan leu um relato que não identificava os agentes da CIA ou os países e agências de inteligência estrangeiras que tiveram algum papel na sua detenção nas prisões secretas – informação que é protegida pelo tribunal de segurança nacional. Ele expressou remorso por magoar as pessoas ao aderir ao Islã radical e à al-Qaeda, mas, por outro lado, também encontrou uma maneira de contar ao mundo o que os agentes dos EUA fizeram com ele.

– Para aqueles que me torturaram, eu os perdôo – disse, observando que, enquanto estava sob custódia, rejeitou a al-Qaeda, o terrorismo, “a violência e o ódio”. – Espero no dia do julgamento que Allah faça o mesmo por você e por mim. Peço perdão àqueles a quem prejudiquei e magoei.

Ele foi espancado nu e passou longos períodos acorrentado – às vezes, a uma parede e agachado “como um cachorro”, disse ele. Khan foi mantido na escuridão e arrastado, encapuzado e algemado, com sua cabeça batendo no chão, em paredes e em escadas enquanto era movido entre as celas.

Antes da CIA transferi-lo de uma prisão para outra, disse o detento, um médico fez um enema e depois o vestiu com uma fralda presa com fita adesiva para que ele não precisasse ir ao banheiro durante os voos.

Relatos anteriores divulgados por seus advogados diziam que ele ficou tanto tempo sem dormir que começou a ter alucinações. Ele requeru a experiência: imagens de uma vaca e um lagarto gigante avançando sobre ele dentro de uma cela enquanto estava acorrentado a uma viga acima de sua cabeça.

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Khan chamou atenção após o lançamento de um estudo de 2014 do programa da CIA feito pelo Comitê de Inteligência do Senado que dizia que, depois que ele se recusou a comer, seus captores “infundiram” um purê de seu almoço pelo seu ânus.

A CIA chamou isso de realimentação retal. Khan chamou de estupro.

Procurada, uma CIA se recusou a comentar as descrições dadas na audiência, mas pontuou que o seu programa de detenção e interrogatório terminou em 2009.

O pai de Khan, Ali, e uma de suas irmãs, ambos cidadãos americanos, estavam no tribunal, vendo-o pela primeira vez desde que ele deixou os EUA al-Qaeda após os ataques de 11 de setembro. Eles estavam a 15 metros dele e não pareciam reconhecer o homem. Os advogados pediram permissão para trazer ao tribunal a esposa e a filha de Khan, que nasceu após sua captura, mas o comandante do Comando Sul dos EUA, que supervisãoa como operações prisionais, se opôs.

Como Khan, que adquiriu o status de residente permanente quando era jovem e morava nos Estados Unidos, mas nunca se tornou cidadão americano, sua esposa e filha também são cidadãs do Paquistão.

Do The New York Times

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