17-11-2021- Natal - Pagamento do Auxílio Brasil ( Maria da Cocnceição Bezerra) foto/adriano abreu/h/selecionadas

Felipe Salustino
Repórter

O Auxílio Brasil, programa do Governo Federal que substitui o Bolsa Família, começou a ser pago nessa quarta-feira (17) em todo o País. De acordo com o Ministério da Cidadania, as famílias que receberam o Bolsa Família em outubro, devem migrar automaticamente para o Auxílio, sem a necessidade de um novo cadastro. Em Natal, no entanto, o primeiro dia de pagamento após a mudança foi marcado por queixas de bloqueio ao programa.

Adriano Abreu
Maria da Conceição Bezerra não conseguiu receber os valores do Auxílio Brasil no caixa eletrônico na manhã de ontem. “Estou com muita dúvida”, disse
Maria da Conceição Bezerra não conseguiu receber os valores do Auxílio Brasil no caixa eletrônico na manhã de ontem. “Estou com muita dúvida”, disse

Célia Lúcia, de 53 anos, acordou cedo para ir à lotérica tentar sacar o benefício que, até o mês passado, era de R$ 179. Não conseguiu. “A moça da lotérica disse que minha conta está bloqueada. Ela pediu que eu viesse para a minha agência para tentar resolver. Por isso, vim aqui”, disse Célia enquanto aguardava atendimento em uma agência da Caixa Econômica, na Avenida Dr. João Medeiros Filho, na zona Norte de Natal.

De acordo com Célia, os dados cadastrais estão atualizados e ela recebeu o benefício normalmente no mês passado. Em outra agência da Caixa Econômica, no Alecrim, mais reclamações. Maria da Conceição Bezerra, de 58 anos, não conseguiu acesso ao benefício quando tentou sacá-lo no caixa eletrônico.

“Estou indo fazer uma xerox do RG para depois voltar aqui e falar com o pessoal da agência para tentar descobrir o que está acontecendo”, contou.

“Eu estou com muita dúvida. Não sei se é preciso renovar o cartão ou se tenho que fazer outra coisa”, complementou Maria da Conceição, que recebia, até o mês passado, R$ 157 de benefício. A TRIBUNA DO NORTE também conversou com Carmen Suely Caldas, de 40 anos, no momento em que ela deixava a agência, no Alecrim.

Carmen viu pelo aplicativo do programa que o benefício havia sido bloqueado e decidiu procurar informações antes da data de pagamento do auxílio, que no caso dela ocorre no dia 29 de cada mês. “Aqui, disseram que ainda não se sabe como vai ficar minha situação, por causa dessa mudança de Bolsa Família para Auxílio Brasil”, relatou a mulher.

Carmen conta que entregou a xerox do RG e preencheu um cadastro. Agora, segundo ela, foi orientada a aguardar 10 dias úteis até receber algum posicionamento sobre a situação.

“Me falaram que vão me dar resposta por e-mail, mas não sei se no próximo dia 29 [data prevista para sacar o benefício este mês], vou conseguir receber ou não. Faz três meses que eu renovei meu Bolsa Família e tive que preencher um cadastro aqui de novo. Acho que isso não deveria ser necessário”, reclama.

Raimunda Regina Rocha, de 33 anos, é outra beneficiária que reclama de um possível bloqueio. Segundo ela, o aplicativo do programa já foi atualizado – de Bolsa Família para Auxílio Brasil – mas o indicativo no app é de que o benefício está indisponível.

Raimunda estava na Caixa Econômica do Alecrim acompanhando o marido e disse que deve procurar a própria agência nesta quinta-feira (18) para tentar resolver o problema. Além da incerteza sobre o pagamento neste mês, a beneficiária reclama que teve o valor reduzido em outubro.

“Até setembro, eu recebia R$ 260. No mês passado, baixou para R$ 200. Ninguém me explicou direito por quê. Me disseram que o Governo entendeu que minha renda aumentou. Em junho, atualizei o cadastro, porque tive bebê. Então, como é que minha renda aumentou se eu e meu marido estamos desempregados e ainda aumentou mais uma pessoa na família?”, questiona.

Já Camila Paulino, de 25 anos, afirmou, ao deixar a agência da Avenida Dr. João Medeiros Filho, na zona Norte, que iria sacar o benefício normalmente. “Essa agência está muito cheia. Estou indo na lotérica receber o pagamento. Eu já pedi para ver se o dinheiro está disponível e a moça daqui disse que está tudo certo”, conta ela, cujo valor do benefício é de R$ 300.

Preocupação
Com dificuldades e dúvidas sobre se conseguirão ter acesso ao Auxílio Brasil, as preocupações para quem depende do benefício são inúmeras. Maria da Conceição Bezerra trabalhava com reciclagem para complementar a renda, mas os problemas de saúde não permitem mais que ela consiga fazer uma renda extra.

“Tive problemas na coluna e na perna esquerda e agora estou com problemas no pulmão. Aí, fica difícil sair para a reciclagem. Sem o Bolsa Família, vai ficar muito difícil. Fui internada em setembro desse ano. Me falaram para ir no posto de saúde, porque é para eu ter acompanhamento médico e com psicóloga. Mas não consegui atendimento [no posto de saúde] e não tenho condições de pagar por isso”, desabafa.

Os filhos ajudam Maria da Conceição quando possível, mas a situação se complica quando esse apoio não chega. Quem também está preocupada com a falta de acesso ao Auxílio Brasil é Carmen Suely Caldas.

“Estou desempregada, com duas filhas para criar e essa é minha única renda”, afirma ao reclamar das incertezas em relação ao benefício. “Vou continuar recebendo o mesmo valor que eu recebia no Bolsa Família? Terá esse acréscimo para R$ 400, como estão falando? E o auxílio creche, será que vai virar realidade?”, indaga sobre pontos do novo programa.

Para Raimunda Regina, a situação também é complicada. Ela e o marido estão desempregados e precisam de doações para complementar a renda, uma vez que o benefício que recebem do Governo Federal é insuficiente para manter os dois e as cinco crianças que moram com eles. “Além dos meus quatro filhos, um sobrinho vive comigo. Nós moramos de aluguel e não estamos conseguindo pagar as mensalidades. O pessoal da igreja vai disponibilizar um cantinho para a gente ficar esse mês”, desabafa.

Auxílio tem reajuste de 17%
O Auxílio Brasil começou a ser pago nessa quarta-feira (17), com reajuste de 17,84%. Com isso, o valor médio do benefício, que era de R$ 189, passará a R$ 217. No Brasil, 14,5 milhões de famílias que receberam o Bolsa Família no mês passado devem migrar automaticamente para o novo programa sem a necessidade de cadastramento.

No Rio Grande do Norte, 370.049 famílias receberam o Bolsa Família no último mês de outubro, segundo a Secretaria Estadual do Trabalho e Assistência Social (Sethas/RN). No total, o Estado contabiliza 1,091 milhão de pessoas beneficiadas pelo Bolsa Família, de acordo com a Sethas.

Em dezembro, o Governo Federal pretende incluir no programa um complemento de R$ 400 mensais a cada família beneficiada. Quem já está na folha de pagamento de novembro do Auxílio Brasil receberá o novo valor de forma retroativa. A duração desse complemento deve ser de um ano. O Governo alega aguardar a aprovação da PEC dos precatórios para o complemento. Também em dezembro, o Governo espera ampliar o Auxílio Brasil para 17 milhões de família.

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