O Rio Grande do Norte destinou 5% da receita total a investimentos no primeiro semestre de 2026, o menor percentual entre os nove estados do Nordeste. Os dados são do Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) em Foco, da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).
Enquanto o RN aparece na última posição regional, o Piauí lidera, com 16% da receita destinada a investimentos. Na sequência estão Maranhão (12%), Sergipe (10%), Bahia e Ceará (9%), Pernambuco e Paraíba (8%) e Alagoas (6%).
O indicador considera recursos destinados a despesas como obras, compra de equipamentos e outras aplicações de capital.
Folha consome 68% da receita
Ao mesmo tempo em que registra o menor percentual de investimentos do Nordeste, o RN apresenta o maior comprometimento da receita total com despesas de pessoal entre os estados brasileiros: 68%. O cálculo inclui Executivo e demais Poderes, além de salários, aposentadorias e encargos.
O secretário do Tesouro Estadual, Flávio George Rocha, destaca, porém, que houve melhora em relação a 2025, quando esse percentual estava em 72%. Segundo ele, os investimentos estaduais cresceram 150% até o terceiro bimestre de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) ressalta que os 68% não representam o indicador utilizado para verificar o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Para esse cálculo, é considerada a Receita Corrente Líquida Ajustada. No primeiro quadrimestre, o Executivo comprometeu 56,12% dessa base com pessoal.
Previdência pressiona contas do Estado
Outro ponto de pressão é a Previdência estadual. O Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) acumulou resultado negativo de R$ 1,02 bilhão no período, equivalente a 10% da Receita Corrente Líquida.
Entre janeiro e junho, o Tesouro Estadual realizou aportes de R$ 969,7 milhões para ajudar a cobrir a diferença entre receitas e despesas previdenciárias, além de recursos provenientes da Desvinculação de Receitas do Estado (DREM).
Para 2026, a projeção é de déficit previdenciário de R$ 2,437 bilhões, com estimativa de mais R$ 1,467 bilhão em aportes do Tesouro até dezembro.
Despesas avançam mais que receitas
As receitas correntes do RN passaram de R$ 11,38 bilhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 12,56 bilhões neste ano, crescimento de 10%. As despesas correntes, porém, avançaram 11%, de R$ 10,18 bilhões para R$ 11,32 bilhões.
Do total das receitas correntes, 55% tiveram origem própria e 45% vieram de transferências.
Representantes do setor produtivo e economistas ouvidos sobre os números avaliam que o peso das despesas obrigatórias reduz o espaço para investimentos em áreas como infraestrutura, logística, saneamento e transporte. O Governo do Estado, por sua vez, afirma que vem reduzindo o comprometimento com pessoal, ampliando investimentos e adotando medidas de controle dos gastos diante da frustração de algumas receitas.
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