A maior preocupação entre ministros do Supremo hoje é a possibilidade de Fachin convocar uma reunião do plenário para tratar da crise. “Se fizer isso, a reunião começa, mas não termina”, resume um ministro, numa referência ao grau de tensão entre André Mendonça e Alexandre de Moraes, que se enfrentariam diante das câmeras.
Há ainda um componente que torna o encontro mais delicado: Moraes e Mendonça sentam lado a lado no plenário, seguindo a ordem de antiguidade na Corte. Os dois já tiveram um confronto que, por pouco, não chegou às vias de fato. Uma saída seria levar o assunto ao plenário virtual, onde os ministros apresentam seus votos eletronicamente, sem a necessidade de se reunirem presencialmente.
As manifestações de 7 de Setembro eram vistas como um ponto de tensão entre ministros do Supremo caso conseguissem reunir uma massa expressiva de pessoas sem coloração partidária.
Não foi o que ocorreu. A direita se apropriou do discurso contra a Corte, o que reduz o impacto da pressão sobre os ministros. A avaliação é que o efeito seria diferente se a insatisfação com o Supremo tivesse se mostrado uma agenda mais ampla do eleitorado, e não identificada com um campo político.
Por Andreza Matais – Metrópoles