‘Palhaço’, ‘farsante’ e acusações de corrupção: saiba tudo o que aconteceu no debate ao Governo do RN

0
6

O debate entre os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte terminou nesta quarta-feira (02) em clima de tensão, com ataques diretos, acusações, interrupções e confrontos envolvendo investigações da Polícia Federal. Allyson Bezerra (União Brasil), Álvaro Dias (PL), Cadu de Lula (PT) e Professor Robério Paulino (PSOL) protagonizaram uma disputa marcada mais pelos embates entre os candidatos do que pela apresentação de propostas.

Ao longo dos cinco blocos, os candidatos discutiram segurança pública, saúde, educação, meio ambiente, mobilidade urbana, recursos hídricos e equilíbrio fiscal. No entanto, temas relacionados a operações da PF, suspeitas de corrupção e acusações envolvendo gestões anteriores e atuais ganharam espaço em diferentes momentos do encontro.

Realizado na sede do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte (CREA-RN), em Natal, o debate foi promovido pelo Grupo Dial Natal e transmitido pela 98FM Natal, Jovem Pan Natal e pelos canais digitais das emissoras.

Investigações da PF viram centro dos ataques

Um dos principais pontos de confronto foi a troca de acusações envolvendo investigações da Polícia Federal. O nome de Allyson Bezerra foi citado em diferentes momentos por adversários em referência à Operação Mederi, que investiga suspeitas relacionadas a contratos e recursos da saúde.

Durante o debate, Cadu de Lula afirmou que Allyson teve a Polícia Federal em sua casa, enquanto Robério Paulino citou uma suposta participação do candidato em um esquema de propina.

As afirmações foram feitas durante o confronto eleitoral e não representam, por si só, conclusões judiciais sobre a responsabilidade dos candidatos. Allyson negou irregularidades e classificou como mentirosas algumas das acusações feitas contra ele.

Cadu também foi alvo de questionamentos. Allyson citou a Operação Lectus, investigação realizada durante a pandemia que apurou suspeitas de irregularidades na área da saúde, e questionou a atuação do petista. O candidato do PT rebateu os ataques e voltou a mencionar a Operação Mederi.

Álvaro Dias também entrou no embate sobre investigações. Allyson citou a Operação Rebotalho ao questionar a compra de respiradores durante a pandemia em Natal. Álvaro negou envolvimento e afirmou que a aquisição foi conduzida pela então gestão da Secretaria Municipal de Saúde.

Ataques pessoais marcaram os cinco blocos

A tensão não ficou restrita às acusações relacionadas à PF. Durante o encontro, os candidatos trocaram provocações e críticas pessoais.

Robério Paulino chegou a chamar Allyson de “palhaço”, “ator”, “personagem” e “farsante”, enquanto Allyson classificou Álvaro Dias como o candidato com “maior capacidade de mentir”. Álvaro, por sua vez, chamou Allyson de “nervosinho” e criticou sua atuação nas redes sociais.

Também houve confronto entre Cadu e Álvaro. O candidato do PT criticou a obra de engorda de Ponta Negra e afirmou que Álvaro teria “destruído o principal cartão postal de Natal”. O ex-prefeito defendeu a intervenção e disse que a obra foi necessária para proteger a praia e o Morro do Careca.

Tensão entre candidatos chega aos bastidores e envolve equipes

Se dentro do debate os candidatos protagonizaram uma série de confrontos, nos bastidores o clima também ficou tenso. A equipe do BNews RN presenciou momentos de discussão durante os intervalos do encontro realizado nesta quarta-feira (02).

No último intervalo antes do bloco final, uma integrante da equipe que acompanhava Robério Paulino chamou Allyson Bezerra de “palhaço”. A provocação elevou os ânimos entre os presentes e aumentou a tensão nos bastidores antes do retorno dos candidatos ao palco.

O episódio não ficou isolado. Na abertura do último bloco, a mesma integrante da equipe de Robério se envolveu em uma discussão com uma jornalista de um portal que, durante o bate-boca, saiu em defesa de Allyson Bezerra. O episódio ocorreu diante de integrantes das equipes dos candidatos e de profissionais que trabalhavam na cobertura do debate.

Propostas ficaram em segundo plano

Apesar da presença de temas relevantes para o Estado, as propostas acabaram dividindo espaço com os confrontos políticos.

Na segurança, os candidatos discutiram os índices de criminalidade e os resultados das políticas adotadas no Estado. Na saúde, entraram em pauta filas para cirurgias, funcionamento de hospitais, salários e investimentos. Educação, Pé-de-Meia, IDEB, alfabetização e jornada de trabalho também foram abordados.

O debate ainda passou por meio ambiente, licenciamento ambiental, Ponta Negra, mobilidade, recursos hídricos e equilíbrio das contas públicas. Allyson também apresentou a proposta de criar incentivos financeiros para famílias vinculadas ao desempenho escolar dos filhos.

No entanto, em diferentes momentos, as discussões sobre políticas públicas foram interrompidas ou substituídas por novos ataques entre os candidatos.

Debate expõe disputa que deve marcar eleição

O encontro promovido pelo Grupo Dial Natal terminou com um retrato de uma campanha que já começa a ser marcada pela forte polarização entre os candidatos. As investigações da Polícia Federal, acusações relacionadas a gestões anteriores e disputas sobre obras e serviços públicos devem continuar entre os principais temas do confronto eleitoral.

As acusações feitas durante o debate, contudo, devem ser tratadas como manifestações políticas dos candidatos e não como comprovação de responsabilidade criminal. Eventuais irregularidades dependem da apuração dos órgãos competentes e das decisões da Justiça.

Leia também: 

Fonte: