A primeira coisa que o mecânico Josué da Rocha Filho, de 44 anos, fez nesta sexta-feira (15), – um dia depois de ter tido o carro queimado em função do incêndio de um caminhão onde ele estava estacionado-, foi verificar o que tinha sobrado inteiro dentro do veículo. E lá estava, do lado do banco do motorista, a Bíblia que ele carrega para o abençoar totalmente intacta.

“É fé em Deus. Isso é um milagre”, disse o homem muito emocionado, segurando o objeto de devoção com as mãos feridas. Ele recebeu alta do hospital João XXIII, onde precisou ser encaminhado devido as queimaduras nas mãos e a lesão no tornozelo, nesta manhã.

“Quando o fogo começou, não tinha como sair pela porta. Comecei a gritar para as pessoas saírem. Tive que abrir a janela, mas estava muito quente, daí queimei”, relembrou. Após abrir a janela, ele precisou pular de uma altura de aproximadamente cinco metros.

Apesar de morar no primeiro andar do imóvel, naquela noite, ele estava na casa da irmã Cátia Lucia, que mora no segundo pavimento. “É uma cena esquisita demais ver isso e relembrar que aconteceu. Só Deus sabe o que a gente passou aqui”, relatou.

O fogo começou por volta de 2h30 da madrugada de quinta-feira (14), quando parte do combustível do caminhão escorreu até o imóvel onde moram cerca de 80 pessoas. Nove ficaram feridas, incluindo o Josué e a irmã dele, Cátia Lucia, de 40 anos. A filha dela, Angélica de Souza, de 16 anos, não teve ferimentos, mas passou a noite com a mãe. “Ela está bem, sentido dores, mas consciente, conversando, um pouco sonolenta por causa da morfina. Deve receber alta amanhã ou depois”, disse a adolescente.

A Cátia teve queimaduras nas pernas e uma luxação nos tornozelos devido à fuga pela janela. “Ela precisou fazer uma cirurgia para retirar o excesso de pele queimada, já que foram queimaduras de segundo grau. Ela está medicada, recebendo hidratação e sem risco”, completa.

O acidente com caminhão-tanque

Um caminhão-tanque que estava carregado com 23 mil litros de combustíveis tombou na MGC–262 (antiga MG–05), às margens do Anel Rodoviário de Belo Horizonte. O Corpo de Bombeiros foi chamado e, ao chegar, encontrou o caminhão tomado pelo fogo e o motorista carbonizado. O tanque carregava 23 mil litros de líquido inflamável, sendo 10 mil de gasolina, 10 mil de diesel e 3.000 de álcool. Cerca de 30% dos combustíveis ficaram retidos dentro do tanque. Por conta do rastro de combustível, altas labaredas se formaram e se alastraram por todo o trajeto feito pela carga líquida, atingindo residências, comércios, veículos e uma fábrica. Segundo os militares, a linha de fogo sobre o combustível percorreu cerca de três quarteirões, se espalhando conforme os declives da via.

Quatro residências foram completamente queimadas, além de outros quatro imóveis que tiveram a fachada e outros cômodos parcialmente danificados. Dez veículos também foram atingidos. Desses, quatro carros e duas motos não poderão ser reaproveitados (perda total), e o restante teve danos parciais. Ao menos nove moradores ficaram feridos e foram socorridos para o hospital. O motorista, de 54 anos, morreu carbonizado.

O Tempo