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Usar maconha na adolescência predispõe a transtornos mentais, diz estudo com mais de 460 mil jovens

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Foto: Jeff W/Unsplash
Um estudo publicado no JAMA Health Forum indica que adolescentes que usam cannabis têm risco significativamente maior de desenvolver transtornos psiquiátricos na vida adulta jovem. A pesquisa acompanhou 463.396 jovens entre 13 e 17 anos por quase uma década e identificou associação com o dobro do risco de diagnósticos como transtornos psicóticos, bipolares, além de depressão e ansiedade.

Com base em dados de prontuários eletrônicos de consultas pediátricas realizadas entre 2016 e 2023, os pesquisadores acompanharam os participantes até os 25 anos. Em média, o início do consumo ocorreu cerca de dois anos antes do diagnóstico de algum transtorno mental.

Segundo especialistas, o período da adolescência até os 25 anos é marcado pelo desenvolvimento do cérebro, especialmente do córtex pré-frontal, responsável por decisões, controle de impulsos e regulação emocional. O uso de substâncias nesse estágio pode comprometer essas funções e aumentar a vulnerabilidade a alterações comportamentais e emocionais.

O estudo também aponta uma relação consistente entre o uso de cannabis e transtornos psicóticos e bipolares. Uma das explicações envolve o THC, principal composto psicoativo da substância, que pode elevar a liberação de dopamina no cérebro — fator associado a sintomas psicóticos. Pessoas com predisposição genética podem ter esses quadros antecipados pelo uso.

Outro fator relevante é a maior potência da cannabis atualmente disponível. Enquanto a concentração média de THC gira em torno de 20%, há produtos que ultrapassam 95%, ampliando os efeitos e riscos.

Consumo também está relacionado à depressão e ansiedade

A pesquisa também relaciona o consumo à depressão e ansiedade. Especialistas destacam que a relação pode ser bidirecional: jovens com esses sintomas podem recorrer à substância, mas o uso também pode agravar o quadro. Crises de pânico após o consumo são relatadas, especialmente entre adolescentes.

Com o avanço da idade, a associação com depressão e ansiedade tende a diminuir, possivelmente devido ao amadurecimento cerebral. Ainda assim, o uso precoce pode deixar impactos duradouros, como maior risco de dependência e prejuízos cognitivos, afetando memória, atenção e desempenho escolar.

Sinais de alerta incluem isolamento social, queda no rendimento escolar, irritabilidade e mudanças de humor. Casos mais graves, como crises intensas de ansiedade ou sintomas psicóticos, exigem atenção médica imediata. Especialistas recomendam diálogo e intervenção precoce para evitar agravamento.

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