Um presente para Sant’Ana

Ao iniciar o Mês de março, mulheres sertanejas quiseram homenagear Sant’ana pelo dia internacional da mulher. Pensaram em realiza um almoço em honra a padroeira da cidade rainha do Seridó.

O que seria o presente? Perguntou professora Julia Medeiros!

Uma colcha de retalhos! Respondeu mãe Quininha.

Logo reuniram-se um grupo de muitas irmãs para pensar o presente.

A linha ficou por conta das irmãs Deodatos.

O recorte dos retalhos pelas irmãs Brasil

As irmãs Monteiro convidavam outras mulheres sobre a liderança de Dona Oscarina Torres.

Eram mulheres do povo! Domésticas, bordadeiras, lavadeiras, professoras, doutoras, cozinheiras, rezadeiras, costureiras, poetizas, religiosas, engomadeiras, mulheres de vida livre…. Mulheres de Caicó que com muito amor, zelo, sofrimento, vitórias e derrotas construíram a história desse povo.

Cada retalho costurado, regado a lágrimas e suor unidos a uma história de lutas, trabalho, conquistas e resistência.

Enquanto se tecia a peça de taco de retalhos, Dona Nailde Dantas providenciava o jantar conforme a culinária seridoense.

Maria de Tiburcio preparava em seu barraco a galinha caipira e o famoso arroz de graxa.

Inés de Borges preparava a paçoca de pilão e Côca o feijão com toucinho na escola Profissional.

Edite da verdura providenciava o vinagrete com as melhores verduras da feira livre do açougue.

E Raimunda Chagas, preparava uma deliciosa farofa de manteiga da terra de Dona Gertrudes

Ao meio a organização, Ana Raposa perguntou: O que termos para beber no almoço?

Logo, as irmãs Tavares iniciaram o preparo de um delicioso aluá feito de milho verde e abacaxi.

Enquanto o almoço era preparado em panelas de barro de Ana Louceira, as artesãs Maria Coelho e Raimunda Faísca providenciavam as travessas de barro para servir a comida.

Para adoçar o encontro foram encomendadas as cocadas de Dona Dalvaci Poroca e os cajus cristalizados de Rosário vale reconhecidos em toda cidade.

A apresentação cultural ficou sob a responsabilidade de Hilda Araújo e Ana de Félix que recitavam os mais belos versos sobre Caicó antigo.

O coral da catedral entoava o hino da padroeira de Palmyra Wanderley, sobre a regência de Paulina Fernandes, Bernadete, Celita Medeiros, Dona Generosa, Titica de Bento e Toinha do Rosário.

Na cozinha do Hospital do Seridó era providenciado por Sulivan Medeiros o cafezinho da tarde acompanhado dos biscoitos de Dona Dalva.

Enquanto tudo da culinária caicoense era providenciado, Larrimê e a bordadeira Maria Vale supervisionava a colcha de retalhos tecida por mulheres de diferentes raças, cores, credos, classes sociais e opções…. Mulheres casadas, solteiras, viúvas…. Mulheres idosas, doutouras, agricultoras, domésticas, com deficiência, transexuais ou de vida livre… Mulheres invisíveis de uma sociedade….. Todas tecendo a história de um povo….

Com muita dedicação, a peça emaranhada de retalhos foi lavada por dona Eufrásia de Zé Borracheiro em uma grande cheia do rio Barra Nova.

O engomado foi feito pelas irmãs cafumbós, que o fazia com maestria sob o calor do antigo ferro de brasa.

E a peça de retalhos foi docemente perfumada pelas irmãs Meiras, usando os bugaris de seu jardim e abençoadas com os rosários de Maria de Crispim e Eunice Catarina.

A embalagem ficou sobre os cuidados da artista plástica Davina, que produziu uma caixa pintada com o cenário do açude Itans.

Enfim, o almoço foi servido no Pavilhão da Catedral, onde todas foram recepcionadas por Santa Costa e Arlete Rocha.

O presente foi entregue pela irmã Lúcia do Abrigo que contemplou o sereno sorriso da avó de Jesus. O sublime momento foi registrado pela máquina fotográfica de Maria de Bento.

Na grande mesa registrava as presenças de: Bernadete Ginani, Auta de Souza, Dona Myrtilla Lobo, Ana do leite, Iracema Trindade, Dona Guilhermina, Rosa de Lima, Socorro Queiroz, Dona Patucina, Generina Vale, Maria Rufino, Telecila Freitas, Nina Barinova, Damiana, Dona Venice, Odete, Cristina do Pescador, Arnilda, Zefa Baú, Irmã Coleta, Marta Araújo, Dora de Aldo Aires, Chiquinha Zélia, Nice de Antônio Pretinho, Dona Rosa Oliveira, Mariinha do cachorro quente, a cigana Inês Velha e tantas outras que construíram cada retalho do nosso Caicó.

A colcha, a manta, o cobertor que hora tecido neste torrão é a história de mulheres que não se cansa, que não desiste e nem foge à luta…. Um povo que inventa e se reinventa todos os dias resistindo uma seca, uma fome, uma pandemia…. Um preconceito!

Mulheres vitoriosas! Mulheres do Seridó!

Mulheres da nossa história! Mulheres de Caicó!

Autor: Vereador Andinho Duarte


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